Neil Gaiman em entrevista ao site Omelete

Autor falou sobre uma ideia de multiverso dentro de sua obra, envolvendo a versão do livro e da nova série.

A série de TV Deuses Americanos estreou no Starz em 30 de abril com uma avalanche de comentários positivos, mas não foi apenas crítica e público que gostaram do resultado: o próprio Neil Gaiman adorou a adaptação.

Em entrevista exclusiva ao Omelete, o autor falou também sobre Mitologia Nórdica – seu mais novo livro lançado no Brasil pela Intrínseca – que revisita os mitos nórdicos de Deuses Americanos e comparou os personagens da obra com um dos heróis mais conhecidos da história: o Batman.

Foi bem interessante, estou amando assistir. Acho que porque eu vim dos quadrinhos, eu penso em coisas como a Terra Um do Batman e na Terra Dois do Batman, e coisas desse tipo. É interessante que exista a versão do livro para aqueles personagens e agora exista a versão deles para a TV, e estou amando. A versão da TV é como a Terra Um, quer dizer, temos o Batman da Terra Dois dos anos 1940 e depois o Batman da Terra Um dos anos 1970. Eu sinto como se essa versão fosse a Terra Um de Deuses Americanos. Quero dizer, meu Technical Boy era alguém tecnológico para os padrões de 1989.

As duas versões do Batman citadas são frutos do conceito de multiverso da DC, ou seja, de múltiplos universos, cada um com sua própria versão do planeta Terra e de seus habitantes. Nesse passo, a Terra Um era o lar da Liga da Justiça e a maioria dos seus heróis foi criado a partir da segunda metade dos anos 1950, enquanto que a Terra Dois tinha a Sociedade da Justiça e seus personagens foram desenvolvidos décadas antes – cada uma com seu próprio Batman. Aplicando essa lógica em Deuses Americanos, é como se existisse um multiverso de Neil Gaiman, separado entre a versão dos personagens do livro e a nova roupagem da televisão.

Gaiman contou ainda estar muito contente com os feedbacks sobre a série que chegam até ele. “Eu tenho ficado extasiado pelas críticas e pelas reações a Deuses Americanos, pelo quanto as pessoas estão gostando. Eu fico feliz pelo quanto elas têm amado. Tem sido incrível.

Além disso, o escritor falou também sobre a possibilidade de uma nova parceria com Bryan Fuller, dessa vez para levar a saga de Sandman para outra plataforma. “Temos de ter em mente que quem controla os direitos de Sandman é a Warner. O problema de Sandman como um filme é que a história é muito grande. A história de Sandman tem quase três mil páginas, é enorme. E é muita coisa para colocar em um ou dois filmes. Quando tentaram colocar na televisão há algum tempo, todos os envolvidos tinham suas opiniões sobre como manter Sandman sendo Sandman. Acho que se formos adaptar Sandman precisamos estar prontos para uma jornada bem longa.

Gaiman comentou também a receptividade que sua obra tem no Brasil. “Eu amo o Brasil. Me apaixonei pelo Brasil desde a primeira vez que fui, em 1988. Virei um rockstar no Brasil antes de ser considerado um rockstar em qualquer outro lugar do mundo“, completou.

Fonte: www.omelete.uol.com.br

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