Produtores falam sobre o final da 1ª temporada e uma 2ª temporada “mais raivosa”

Em entrevista recente para o site Deadline, Michael Green e Bryan Fuller conversaram sobre o final da primeira temporada de American Gods, o que esperar da segunda e se a série estará presente na Comic-con deste ano. Confira a conversa, na íntegra, abaixo. 

“Não podemos deixar de reconhecer que o mundo sobre o qual escreveremos é muito mais obscuro agora, então não ficaria surpreso se a segunda temporada ficassem mais ‘raivosa’”, disse o produtor-executivo de American Gods, Michael Green, sobre o que podemos esperar da adaptação para a TV do romance de Neil Gaiman após o término da primeira temporada no último domingo.
“American God”, que é produzida por Michael Green e Bryan Fuller, parece estar pronta para explorar lugares mais obscuros após uma temporada cheia de mortes, alianças, um monte de “Jesuses” e deuses antigos que revivem através do poder da Deusa da Páscoa.
O episódio, muito bem intitulado como “Come do Jesus” (“Venha para Jesus”), que Green e Fuller coescreveram com Bekah Brunstetter também deu um pouco de fé enquanto o ex-presidiário Shadow Moon (Ricky Whittle) encontrou algo para acreditar e algumas explicações do antes inescrutável Mr. Wednesday (Ian McShane).
O drama de mitologia fantástica baseado no livro de mesmo nome escrito por Gaiman, e lançado em 2001, estreou no dia 30 de Abril e já está renovado para a segunda temporada. Ele foca na estrela da série ‘Deadwood’, McShane, e no veterano de ‘The 100’, Whittle, enquanto atravessam a paisagem americana, literal e culturalmente, enquanto uma guerra está se formando entre os deuses novos e antigos. Na narrativa, Green e Fuller falaram sobre os temas fé, raça, imigração, mídia e tecnologia presentes no livro, atualizados e traduzidos.
Os produtores-executivos conversaram comigo sobre como planejaram a primeira temporada de oito episódios para terminar com o final dirigido por Floria Sigismondi, o que esperar da segunda temporada além de escuridão e raiva, e que personagens devem voltar ou serem introduzidos. Tendo feito um grande barulho na Comic-Con do ano passado, o co-roteirista de Logan, Green, e o criador de Hannibal, Fuller, também revelaram os plano para a Comic-Con de 2017. Eles também discutem como a eleição presidencial do ano passado se encaixa no final de hoje de American Gods, que contou com a participação de Browning, Orlando Jones, Gillian Anderson, Pablo Schreiber, Yetide Badaki, Kristin Chenoweth, Jonathan Tucker, Omid Abtahi, Cloris Leachman, Corbin Bernsen, Bruce Langley e Crispin Glover.

DEADLINE: Onde o final desta temporada nos deixa, com relação a segunda temporada e ao restante do livro?

GREEN: Precariamente. Nós sempre soubemos que queríamos terminar a temporada com nosso peso inclinado para a House on the Rock (Casa na Pedra). Nós conversamos bastante sobre querer chegar lá e até começar a contar essa história, avançando a narrativa até lá. Mas nós curtimos muito o tempo que passamos com os personagens, e fizemos tantas coisas que demandaram tempo e recursos que acabamos percebendo um final muito satisfatório com o Wednesday tomando sua primeira atitude agressiva contra os Novos Deuses. Com ele dizendo: “Você foi muito, muito pouco sábio ao me desconsiderar e falar naquele tom comigo”. Então Wednesday tem vantagem de duas formas, ele tomou uma atitude que vai machucar os Novos Deuses e tem um crente em Shadow Moon. Essas são duas coisas que tem muito significado.

DEADLINE: Com relação a onde estamos no livro, isso vai desempenhar um papel importante na segunda temporada?

FULLER: Acredito que os dramas interpessoais que nos aguardam na segunda temporada e que mais nos excitam é a noção de Laura Moon contra Mr. Wednesday. Nós vemos, no final da temporada, que Laura sabe que Wednesday mandou matá-la, especificamente, para colocar Shadow nessa situação. Nós sempre falamos sobre a Laura se tornar aquela metáfora para o último católico que pode, você sabe, mandar uma banana para os céus e dizer “Vai se foder, Deus!”. Mas agora ela tem a oportunidade de dizer isso para um Deus de verdade, então o que ela vai fazer em seguida?

DEADLINE: Vocês abordaram alguns temas bastante controversos na primeira temporada: fé, obviamente, mas também imigração, violência por arma de fogo, racismo e sexismo. Pela reação online e em outros lugares, parece que o público foi muito receptivo a essas conversas e discussões. Isso te surpreendeu?
GREEN: Eu sinto que as pessoas que não são receptivas a esse tipo de discussão não estão assistindo a série.

DEADLINE: Vamos ver mais temas deste tipo evoluindo do livro para a América de 2017 ou 2018, ou esse formato foi exclusivo da primeira temporada?
GREEN: Nunca foi um formato ou uma decisão deliberada, nós estávamos apenas contanto as histórias presentes no livro ou que foram inspiradas por ele, e continuaremos fazendo isso.
FULLER: É difícil, sabe, quando estávamos planejando a segunda temporada e olhando para a expansão da primeira, parece haver um pouco mais de coesão na segunda, agora que estabelecemos as coisas, de certa forma, para o público. Quero dizer, em termos de entender como o mundo funciona, ou ter uma impressão de como o mundo funciona, com relação à manifestação de suas crenças.
Agora vamos nos aprofundar mais em personagens que acabamos de começar a explorar, como, por exemplo, a Laura Moon. Tem tanta coisa para contarmos ainda, e agora que passamos a temporada introduzindo a personagem e desenvolvendo algumas facetas novas podemos levar ela para caminhos cada vez mais inesperados. O mesmo com o Shadow, onde existe uma certa expectativa de como o personagem evolui no livro que queremos subverter e desafiar, a nosso modo, a ter um protagonista que tenha tanta importância na história como os próprios deuses.
GREEN: Uma outra resposta rápida a isso: não podemos deixar de reconhecer que o mundo que vamos escrever está muito mais obscuro agora, então não me surpreenderia se a segunda temporada ficasse muito mais raivosa.

DEADLINE: Falando de raiva, um dos personagens novos inventados para a série foi o Deus Vulcan, interpretado por Corbin Bernsen. Ele parece ter encontrado um final “ardente”, mas vamos conhecer mais personagens criados apenas para a série na segunda temporada?

FULLER: Sim, contudo, há muitos personagens novos para entrar neste mundo que fazem parte desta história no livro, assim como alguns que não queríamos incluir. Estamos entusiasmados com Mama-Ji e com a Sam Black Crow. Tem muitos personagens que queremos começar a introduzir na mitologia da série, e estamos muito entusiasmados em rever personagens da primeira temporada que vocês não esperam ver novamente.

 

 

DEADLINE: Obviamente, um personagem que esperamos ver muito mais é o Shadow Moon. Durante a primeira temporada vimos ele passar de um personagem fechado, quase unidimensional, que está tentando encontrar seu caminho para alguém ou alguma coisa, para alguém que agora, no final, viu o mundo se abrir diante de seus olhos, literalmente e figurativamente, e talvez uma pequena dica de quem ele está se tornando. Como esse arco vai avançar na segunda temporada?

FULLER: Bom, isso deve evoluir de uma maneira proativa para o personagem. Boa parte do que tivemos na primeira temporada foi com o Shadow sendo um passageiro na narrativa. Ele estava numa situação onde tudo havia sido tirado dele, então ele não sabia o que queria como personagem. A única certeza que tinha é que precisava ocupar seus dias. Agora que ele entende um pouco mais sobre seu mundo e o mundo dos deuses, podemos enxergá-lo como uma espécie de apóstolo – e ver que tipo de apóstolo ele poderia ser.

 

DEADLINE: Então, que tipo de apóstolo ele será, agora neste mundo de deuses em batalha?
FULLER: Ele vai ser um apóstolo conduzido. Ele passou de não acreditar em nada e não estar realmente ciente, de qualquer forma, das realidades do mundo mágico, de ter visto isso, de acreditar nisso. Passando a acreditar especificamente por causa do Wednesday. Existe uma força na crença e há algo a ser guiado pela crença. Então, ele vai estar muito motivado para não apenas ver os objetivos de Wednesday, mas por adentrar no mundo em uma direção que agora parece mais clara.

DEADLINE: Onde as coisas terminaram no final [da temporada], com a exibição brilhante de poder da Easter sobre a terra e a repreensão severa de Wednesday para os Novos Deuses, vocês estão apenas em uma parte do caminho do livro. Traduzindo para a telinha, com mudanças e adições como já vimos até ao momento, por quanto tempo você imagina a série permanecendo dentro do livro Deuses Americanos?
FULLER: É divertido porque temos essa conversa freqüentemente e Michael [Green] continua tentando saber disso e eu continuo tentando fugir dessa resposta. Quero ver como a história nos dirá quanto tempo será preciso para contá-la. Então, definitivamente somos duas mentes, uma que quer saber e uma que não.
GREEN: Provavelmente é a única coisa em que discordamos, fortemente. Podemos ver versões da série para quatro, cinco, seis temporadas sem entrar no próximo livro.

DEADLINE: E indo além disso, se Neil escrever uma sequência, vocês está se encaminhando para que não caia em uma situação como Game of Thrones, onde a série agora está à frente do livro de George R. R. Martin?
FULLER: Não nos preocupamos com isso, porque queremos adaptar Deuses Americanos, o romance, que acreditamos, pode render muitos ótimos anos na televisão, por si só. Se Neil cumprir sua ameaça em escrever outro livro que poderia adicionar mais elementos, outro volume, mas para isso temos agora em nossas mãos as várias centenas de páginas que antecederam.

DEADLINE: Para nos adiantar, vamos ver todos vocês em San Diego na Comic-Con no próximo mês?
FULLER: Infelizmente, American Gods não estará fazendo nada na Comic-Con este ano, porque vamos levar algum tempo para produzir algo novo da série e para poder falar sobre isso.

DEADLINE: Você sabe, depois do grande espetáculo que vocês fizeram no ano passado [na Comic-Con], isso vai decepcionar os fãs, do Neil e, especialmente, agora que a série estreou.
FULLER: Sim, também estamos desapontados. Nós adoramos a Comic-Con e adoramos ir lá e compartilhar a série com o público. Nós sentimos que fazemos a série para essa multidão, para conhecê-los e dizer “obrigado” é sempre divertido e significativo porque eles vão te avisar quando não estivermos fazendo isso direito.

DEADLINE: Nessa de “fazer isso direito”, para lhe citar, Bryan, agora que chegamos ao final da 1ª temporada, você sentiu que você fez American Gods “direito” nesta primeira temporada, em última análise, nos EUA e no mundo em 2017?

FULLER: Deixe-me dizer isso, primeiro vimos o final da temporada, ou vimos um corte do final da temporada após as eleições em novembro. Estávamos dolorosamente conscientes, na época, de que estávamos assistindo a uma história em que a narração estava explorando o quão longe os homens levam uma mulher de poder e o quão ameaçador isso poderia ser. O episódio, em si, é muito celebrador de nossas rainhas e das mulheres que veneramos e das mulheres que fantasiamos nas mulheres que amamos e adoramos.
Há algo sobre esta história enquanto que, como foi em muitos aspectos, como na introdução da Laura, que o final realmente traz muitos grandes personagens femininas com algo a dizer sobre o tema da crença. Isso foi algo que descobrimos em novembro. O final é uma saudação, em muitos aspectos, para as mulheres poderosas que ainda estão por aí.

DEADLINE: Michael?
GREEN: Isso foi muito bom para eu tentar superar.

American Gods deve voltar com sua segunda temporada em 2018. Para ler nossa resenha do último episódio da primeira temporada, clique aqui.

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